Ansiedade de separação – O que é e como lidar?

ansiedade

Apesar de ser um processo normal pelo qual todas as crianças passam, a fase da ansiedade de separação pode ser muito difícil, tanto para as crianças quanto para os pais. Com o recente retorno às aulas, achei importante escrever sobre esse tema, na esperança de ajudar a tranquilizar algumas mães que possam estar passando por isso.

Quando a criança nasce ela é totalmente dependente de cuidados e funciona como uma unidade com a mãe. Ela não se percebe como uma pessoa separada e sente a mãe como sendo uma extensão de si mesma, indiferenciada.

Nesse início, o bebê exige toda a dedicação da mãe, que deve acompanhar seu ritmo, dando amor, suporte e cuidado. A mãe regride a um estado instintivo natural de conexão com o bebê e funciona para ele como um espelho, ajudando-o a se perceber. Através da rotina de cuidados, da forma como é segurado e olhado, de suas experiências sensoriais e motoras, o bebê vai ganhando uma consciência de seus limites corporais, do que está dentro e fora dele.

Aos poucos ele vai crescendo, e a mãe, sintonizada com suas necessidades e capacidades, passa a ir direcionando mais a sua atuação para outras atividades, introduzindo aos poucos pequenas frustrações que o colocam em contato com a realidade.

Não se trata de deixar o bebê chorando, de não pegá-lo no colo, ou de provocar frustrações intencionalmente. Mas, sim, de um processo de desilusão que, com o tempo, vai acontecendo naturalmente, conforme a mãe percebe que seu filho já consegue esperar um pouco mais e que ela pode, por exemplo, ir ao banheiro ou terminar de almoçar antes de atendê-lo.

Tudo isso vai dando à criança vivências de referência externa que começam com seu próprio corpo e caminham para a percepção do mundo e dos objetos externos, incluindo a si mesmo e à mãe enquanto unidades separadas. Desta forma, há um rompimento natural da unidade indiferenciada mãe-bebê.

Essa consciência de si mesmo como uma pessoa separada da mãe surge por volta dos 06 a 08 meses, quando a criança começa a estranhar os outros e a perceber de forma mais clara quando a mãe se afasta.

Nessa fase, que tem seu auge entre 10 e 18 meses, a criança tem muita dificuldade de deixar a mãe, o pai, ou a figura de cuidado, fenômeno que chamamos de ansiedade ou angústia de separação. 

E, embora a denominação seja em função do sentimento da criança, convenhamos que cabe muito bem para o que nós, mães, sentimos. Quantas de nós já não pensamos duas vezes antes de sair ou nos corroemos de culpa após deixarmos o bebê chorando com outra pessoa?

A boa notícia é que ele é um processo natural e saudável do desenvolvimento da criança e contribui para a formação de sua identidade. Além, é claro, de ser uma proteção, uma vez que inibe as crianças de saírem de perto dos pais em locais públicos e de interagirem com estranhos.

Não é simples para os pais viver essa fase, mas existem formas de ajudarem seus filhos a passar por esse processo:

  • Ao sair, trate a despedida como algo natural. Sentir a sua segurança ajuda seu filho a perceber que é capaz de lidar com sua ausência.
  • Sempre que sair avise quando volta, buscando dar referências concretas. Nesta fase eles ainda não entendem a noção de ‘logo’ ou de tempo. Diga por exemplo: “Mamãe vai trabalhar e volta depois que você jantar” ou “antes do seu banho já estarei de volta” e cumpra com o que disse para que eles comecem a internalizar essa segurança de que você vai, mas volta.
  • Às vezes pode parecer mais fácil sair de fininho, sem o filho perceber. Entretanto isso pode deixar seu filho mais inseguro e assustado. Por mais difícil que seja, sempre se despeça.
  • Nunca ameace deixar seu filho. Alguns pais, em momentos de raiva ou para conseguirem uma mudança de comportamento do filho, ameaçam abandoná-los. Essa conduta intensifica ainda mais o medo de perder os pais e dificulta os momentos de separação.

E lembre-se: essa fase é temporária. Perdura até por volta dos 2 anos, quando a criança introjeta a figura materna, não sendo mais necessário tê-la sempre em seu campo de visão para sentir-se segura. Através da constância de cuidados e de amor, a criança ganha consciência de que a mãe está bem mesmo estando longe e de que ela retorna após um período de ausência.

As regressões são normais e em geral ocorrem em momentos em que a criança se sente mais insegura: retorno de férias, mudança de escola ou uma mudança significativa na rotina familiar, como o nascimento de um irmão ou um adoecimento.

Você deve se preocupar e procurar uma ajuda especializada caso ela perdure por tempo demais, trazendo sofrimento excessivo e recorrente, seja acompanhada de sintomas físicos que não tenham constatação clínica ou seja tão intensa que traga prejuízos significativos em outras áreas da vida da criança.

 

Coluna Universo de Mãe – Psicologia 

fernanda       Fernanda Costa – Psicóloga Clínica CRP: 06/65457

Fernanda é Psicóloga graduada pela PUC-SP e está se especializando em Psicoterapia da Criança e do Adolescente pelo CEFAS – Campinas. Atende crianças, adolescentes e adultos, realizando psicoterapia e orientação profissional. Regularmente promove Rodas de Conversa gratuitas para pais e educadores em temas relacionados à infância.

 

 

 

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