De workaholic à mãe em tempo integral

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Quando descobri que estava grávida da minha filha, foi uma emoção tão grande, um momento inesquecível. Eu estava trabalhando na minha baia e entre um email e outro, eu visitava a página do laboratório, esperando a confirmação do exame de sangue. Do outro lado do prédio, meu marido, que trabalhava comigo na mesma empresa, fazia o mesmo, a ansiedade a mil.

De repente vejo ele correndo no corredor com um papel na mão e um sorriso no rosto…e ali começou uma gestação gostosa, planejada e muito aguardada por nós. Eu trabalhava numa empresa multinacional, com planos de carreira bem definidos e eu, há 6 anos na empresa, seguia rumo aos meus objetivos profissionais de forma positiva e reconhecida pela empresa. Estava em um projeto que amava!

Com o passar dos meses de gestação, fui entrando de cabeça nesse universo materno e descobrindo nele um amor muito maior, uma satisfação e realização muito plena. Com 36 semanas entrei em licença maternidade e tive um tempinho para curtir todos os últimos preparativos até a chegada da minha princesa. Desligada das planilhas, controles, conferências de trabalho, pude vivenciar uma outra realidade, que para mim, foi deliciosa, mais calma e satisfatória.

Minha princesa chegou e com ela todo o famoso instinto materno junto! Foram 7 meses ( 6 da licença mais 1 de férias ) grudadinha nela 24 horas por dia, entre o sono, o cansaço, a amamentação, a dedicação e doação , os hormônios a mil….mas aquele universo ainda me deixava mais feliz que o trabalho na empresa, não sentia falta.

E de repente me vi ali, tendo que procurar uma escolinha para deixá-la o dia todo e isso me apertou o coração.

Foi aí que sentamos eu e meu marido para fazermos as famosas contas rs! E se eu parar? Como faremos com as contas? Onde dá para cortar? É isso o que eu quero? E minha carreira? Isso vai dar certo?

São tantas perguntas, dúvidas e sentimentos mistos nessa fase que só quem passou para entender!rs. E digo: não acredito que exista a resposta certa, a decisão certa. Cada pessoa tem uma realidade, uma experiência de vida, um perfil, sonhos diferentes, tem objetivos diferentes, situações financeiras a analisar e tantas outras coisas que são tão individuais, que não se julga uma mãe por voltar ou por ficar com os filhos em casa. Cada um é feliz do seu jeito, cada família é única na sua maneira de viver, o que para mim é universal, ou melhor, deve ser universal, é o amor pelos filhos e a responsabilidade de educar. O amor é a base do sucesso na vida de uma criança, que se tornará um adulto mais seguro, com valores bem definidos, caráter, etc. Base quem dá são os pais e essa responsabilidade não se terceiriza, nem para quem trabalha fora, nem para quem fica em casa, e esse é o grande desafio 🙂

No meu caso, a vontade de participar ativamente de cada pedacinho do dia, de querer fazer a sua comida e dar à ela no almoço e no jantar, de estar ali, ela comigo e eu com ela pesou mais. Lembro-me bem quando tomei essa decisão, a pergunta que me fiz foi: O que me faz feliz?

Ser a gerente do projeto com cargo alto e salário bonito não fazia mais parte dos meus sonhos! Eu sempre quis ser mãe, ter minha família, minha casa, meu trabalho, sou uma pessoa super agitada, mas me vi ali não mais interessada em ser a workaholic, a businesswoman numa empresa multinacional.

Vi também que meus gastos com escola, faxineira, gasolina levariam mais da metade do meu salário, e vimos que apertando aqui e ali, conseguiríamos seguir em frente.

Pedi demissão e quando olho para trás, foi a melhor decisão que eu tomei! Como não consigo ficar parada ( parada é a última coisa que uma mãe fica hahaha, eu quero dizer, ficar sem um trabalho além dos afazeres de administrar casa e ser mãe ), criei um site voltado ao universo materno, um blog, um grupo de mães, voltei a dar aulas de inglês e consegui administrar meu tempo com meus filhos e marido de uma forma que me sinto feliz e completa. Hoje com dois filhos, um menino e uma menina e sendo mãe em tempo integral, com apenas projetos onde toco de casa em estilo home office, tenho uma rotina insana rs, mas muito feliz com minha decisão.E quando volto lá atrás e penso na pergunta que me fez iniciar toda essa mudança na minha vida, tenho a certeza que trocar o trabalho numa multinacional pelos meus projetos foi a melhor decisão que eu podia ter tomado. Nenhuma decisão tem 100% de momentos lindos,é claro rs mas assim é a vida, e o importante é ser feliz 🙂

 

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3 pensamentos sobre “De workaholic à mãe em tempo integral

  1. Pingback: Mãe: uma profissão de 24 horas e 7 dias - Psico.Online Blog

  2. Ameii a sua publicação! é exatamente assim que penso! Sou recém casada com um filho de 4 anos doida para ter o segundo filho mas devido a minha rotina de trabalho e condições estou infeliz com a rotina que eu levo, gostaria de poder me didicar mais a meus filho ao meu lar , e poder ter logo minha filha , você está me servindo de inspiração! que Deus abençoe!

    • Ohh que delícia ler seu comentário Paula!! Obrigada!! Cortar alguns gastos, ajustar as despesas vale muito a pena se dessa forma você ficará mais feliz! Boa sorte e siga seu coração! 🙂

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